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K6 x Celeron

Processadores K6 e Celeron

Muita confusćo tem sido feita a respeito do novo processador K6-2 da AMD e também acerca do Celeron da Intel. O marketing das empresas envolvidas também nćo tem ajudado muito, de fato confundem mais ainda os consumidores dada a falta de uma maior seriedade das empresas neste campo. As guerras de propagandas nćo muito éticas nćo sćo novidade no embate que ocorre na arena dos processadores, as informaēões fornecidas pelos próprios fabricantes no tocante ao desempenho nćo possuem grande credibilidade, geralmente usam comparativos que realēam alguma caracterķstica em que seus processadores sejam superiores aos da concorrźncia, mesmo que o uso desta caracterķstica nćo sejam relevantes na maioria da aplicaēões reais. Usam ainda meias verdades e termos obscuros, como "tecnologia compatķvel".

Este texto visa melhor posicionar o leitor sobre estes processadores, antes de mais nada faremos alguns esclarecimentos primordiais:

  1. O AMD K6-2 é basicamente o antigo K6 comum, produzido com tecnologia .25 mķcron, acrescido de um set de instruēões chamado 3D Now! Este set é composto por alguns tipos especķficos de instruēões de ponto flutuante comumente usados em aplicaēões 3D;
  2. Por seu turno o Celeron nada mais é do que um Pentium 2 desprovido de cachź L2 e invólucro plįstico;
  3. O K6-2 necessita de que os programas faēam uso das instruēões 3D Now! Para que se diferencie de seu predescessor, hį trźs maneiras de se fazer uso destas instruēões, como veremos adiante;
  4. O Celeron funciona conectado em placas-mće Slot 1, o K6-2 em soquete 7, portanto ao comprar uma placa-mće jį se deve ter certeza de qual processador serį utilizado.

Desde o seu lanēamento a AMD tem procurado posicionar o K6 comum como um concorrente do Pentium II, entretanto todos sabemos que o K6 é apenas um concorrente do Pentium MMX comum, levando vantagem em alguns quesitos e desvantagem em outros, como em operaēões com ponto flutuante e operaēões MMX. Como todos sabem o throughput do K6 em operaēões MMX é metade do de um Pentium MMX de mesmo clock e o desempenho em ponto flutuante de um K6 233 é comparįvel ao de um Pentium MMX 166, e em funēćo disto, como jį foi provado por sites especializados e aqui mesmo, o desempenho de um K6 233 em jogos é, de um modo geral, inferior ao de um Pentium MMX comum de 166 mhz. Assim, muito embora o K6 seja superior ao Pentium de mesmo clock em aplicativos de escritório, nćo justifica uma comparaēćo com o Pentium II, principalmente devido ao fraquķssimo desempenho em operaēões de ponto flutuante.

Assim surgiu o K6-2 , que graēas ąs instruēões 3D Now! pode finalmente entrar no combate com a geraēćo Pentium II da Intel. O K6 2 sem o uso das instruēões 3D NOW! tem um desempenho em ponto flutuante idźntico ao do predecessor. Usando as instruēões 3D now! ele compete com o PII de mesmo clock no tipo especķfico de operaēões de ponto flutuante utilizado por aplicaēões 3D, como jogos. O conjunto 3D Now! consiste em 21 instruēões de ponto flutuante, justamente aquelas especificamente utilizadas por cįlculos 3D. Para fazer uso destas instruēões é necessįrio que sejam feitas chamadas especķficas ą elas; trźs métodos sćo possķveis: o primeiro é usando o DirectX 6, que ao detectar a presenēa de um K6 vai direcionar as chamadas ąs instruēões de ponto flutuante, quando calculando imagens 3D, para uma daquelas do conjunto 3D Now! O segundo é através de chamadas feitas ao driver de vķdeo de placas 3D quando usando o DirectX, assim quando houver a necessidade da aceleradora grįfica trabalhar com grįficos 3D o seu próprio driver redirecionarį os cįlculos de ponto flutuante a serem realizados pela CPU para o 3D Now! O terceiro método é por meio de chamadas feitas pelo próprio aplicativo que estį sendo rodado, desta forma o aplicativo deve ser programado com suporte especķfico ąs instruēões 3D Now!.

Destarte, para serem utilizadas as instruēões de ponto flutuante, conhecidas como 3D Now!, necessitam de duas coisas: A primeira é que o tipo de cįlculo de ponto flutuante a ser feito seja possķvel de ser executado fazendo uso de alguma das instruēões 3D Now!, isto é óbvio; a segunda é que exista a possibilidade de uso destas intruēões por qualquer um dos trźs métodos supracitados. Afortunadamente grande parte das softwarehouses parecem estar dispostas a prestar este suporte, a comeēar pela própria Microsoft e o seu DirectX 6, outra que se preocupou em desenvolver de imediato drivers com suporte ą estas instruēões foi a nVidia, fabricante de um dos mais bem sucedidos chips 3D do momento, o Riva 128 e 128ZX, que equipam as famosas placas Viper V330. Assim, o K6-2 é uma interessante alternativa de baixo custo ao PII, especialmente quando se trata do uso de aplicativos grįficos 3D com suporte ao 3D Now!, notadamente jogos.

Jį o Celeron é o contra-ataque da Intel ą ameaēa provocada pelos processadores de baixo custo, visa também a estimular a migraēćo da base do mercado para a arquitetura Slot1, que ela monopoliza. Muita confusćo tem sido feita acerca da ausźncia do cachź L2 nestes processadores, jį vi inclusive publicaēões especializadas citarem este processador como sendo inferior a um Pentium MMX comum, isto nćo é verdade, o Celeron é uma excelente opēćo para aplicativos grįficos pois tem potźncia de sobra naquilo que estes aplicativos mais pedem: desempenho em ponto flutuante. E se a ausźncia do cachź L2 penaliza seu desempenho quando comparado a um Pentium 2 de mesmo clock, para a turma do overclock chega a ser uma benēćo, isto porque a velocidade dos chips de memória cachź do PII sćo fatores limitantes para o overclock , os modelos mais rįpidos possuem um cachź que suporte acessos em menores latźncias, jį que estes estćo conectados em um barramento especial que funciona na metade do clock da CPU. Além disso o Celeron é produzido com a tecnologia Deschutes de .25 mķcron, a mesma utilizada pelos PII 333, 350 e 400. Estas caracterķsticas fazem do Celeron o processador mais "overclocįvel" da história das CPU's X86, o modelo 266 roda fįcil a 400 MHz em placas BX com FSB de 100 MHz, nestas condiēões o Celeron tem um desempenho superior ao Pentium II 350 em aplicativos grįficos e similar ao PII 300 em aplicativos de escritório.

Abaixo temos um grįfico que compara o desempenho de alguns processadores em jogos, repare que neste grįfico o desempenho de um K6 233 é inferior ao de um P166 e muito inferior ao de um P200, com quem ele é comparado diretamente (P200 na barra amarela e K6 na vermelha), vemos ainda o péssimo desempenho dos 6x86 em jogos.

Voodoo

Ilustrando o que jį expliquei aqui e no tutorial de placas 3D, temos também um grįfico que mostra a interdependźncia entre CPU e placa grįfica 3D, repare que a CPU calcula toda geometria das formas, o que demanda pesados cįlculos de ponto flutuante, entregando entćo a renderizaēćo da imagem ao chip grįfico 3D. Ou seja, a CPU jį entrega todas as referźncias para plotagem dos vértices dos triāngulos.

Processo Grįfico

Em seguida temos um grįfico comparando o desempenho de diversos processadores em aplicativos diversos, aqueles que compōem a suķte do High End Winstone 98 da ZD Labs sob o Windows NT4 e em seguida o Business Winstone sob o Windows 95.

WinStone NT
Winstone95

Ao final vemos o mais esperado, o desempenho do K6-2 em dois jogos - Incoming e QuakeII - otimizados para 3D Now! Reparem o ótimo desempenho do K6-2, principalmente quando comparado com o K6 comum, realmente operaēões de ponto flutuante 3D Now! fazem a diferenēa, o desempenho é, no entanto, inferior ao do Celeron 266 em overclock , sim o Celeron é fantįstico para jogos!

Incoming
Quake II

Agradeēo a Tom Pabst (http://www.tomshardware.com) por ter gentilmente cedido 5 dos 6 grįficos acima.

Aurélio



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